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SOUZA, Maria Das Graças Oliveira Coelho de. Ruído, tráfego e morfologia viário: o caso de Salvador. Orientação de Prof. Antônio Heliodório L. Sampaio.198p. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia,Salvador,1991.
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Resumo

O objetivo central do trabalho é explicitar as relações entre o ruído produzido pelo tráfego rodoviário urbano e a morfologia das vias típicas de Salvador - nos vales, cumeadas e "especiais" - de modo a identificar as discrepâncias e similaridades entre o "estudo de caso" e o corpo teórico existente. Metodologicamente, a fundamentação se estrutura a partir de dois procedimentos de análise: I) o primeiro baseado no cálculo de ruído gerado pelo tráfego de veículos automotores, através dos levantamento do fluxo dos mesmos nas vias considerando a distância do observador ao bordo da pista, conforme o Modelo de Josse; II) o segundo com base na medição do ruído em intervalos de 10 em 10 minutos, através da leitura em decibelímetro, de modo tal a verificar: a) correlação entre os dados levantados mo campo e os obtidos a partir de modelos estatístico-matemáticos, b) análise de incomodidade gerada pelo ruído, face aos padrões e normas vigentes, e c) caracterização das condições atuais do ruído de tráfego face a morfologia de vias urbanas típicas do universo de Salvador. O corpo teórico existente aponta para a possibilidade de compatibilização entre a morfologia viária, configuração do espaço urbano face ao uso e ocupação do solo adjacente às vias e os requerimentos técnicos necessários ao bloqueio da propagação do ruído produzido pelo tráfego automotivo no interior dos ambientes construídos. No caso de Salvador, como pode acontecer na maioria das grandes cidades brasileiras, os dados levantados apontam para uma crescente desatenção entre, diretrizes de um planejamento viário que leve em conta a proteção contra o ruído do tráfego nos espaços lindeiros e requerimentos tecnicamente embasados em estudos mais aprofundados da realidade. Assim, a proposta do EPUCS, Escritório do Planejamento da Cidade de Salvador nos anos 40, não só foi relegada a plano secundário na prática, quando da implantação da maioria das "avenidas de vale", como a LOUS, Lei de Ordenamento de Uso do Solo, produzido na final dos anos 70, não incorpora avanços significativos sobre as diretrizes anteriores, em que pese o avanço do conhecimento no campo da acústica aplicada ao desenho urbano em geral. Os níveis de ruídos encontrados nas vias pesquisadas, estão acima dos padrões fixados pela ABNT, enquadrando-se nas faixas entre 70 e 90 dB(A), portanto em níveis elevados (incômodos) para o ouvido humano, sobretudo quando exposto a situações contínuas e prolongadas no tempo. Do ponto de vista morfológico observa-se que o ruído resultante de diferentes fluxos de veículos podem ser mascarados, na medida em que secções viárias em "U", com maior reflexão sonora pelas edificações laterais, podem se aproximar de vias arteriais, expressas e ou especiais, com maior intensidade de fluxo mas ainda com amplos espaços laterais desocupados. Demonstrando pois que a inadequação do planejamento viário e da legislação de uso do solo, pode e tende a se agravar quanto ao ruído produzido pelo tráfego, à medida que a cidade cresça e se adense ao longo das vias principais.
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