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AFONSO, Roseli de Fátima. Acidentes de trabalho na região metropolitana de Salvador: as consequências da precarização das condições de trabalho causada pela terceirização. 1996,
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Resumo

Procura - se demonstrar como a terceirização, que se intensifica nos anos 90 no Pólo Petroquímico de Camaçari, tem contribuído para o aumento dos acidentes de trabalho no interior das fábricas e fora das mesmas. A mobilidade dos riscos não se restringe somente ao interior das plantas industriais. Os riscos, muitas vezes, vão para além do espaço e do tempo de sua ocorrência. É sabido que os registros oficiais de acidentes de trabalho são insuficientes para dimensionar o caráter social/político dos acidentes, seja na produção, armazenamento ou transporte desses produtos químicos. O presente trabalho procurou fazer uma análise mais qualitativa dos acidentes, procurando mostrar a mobilidade dos riscos da industria química e petroquímica da Bahia. A imprensa nos pareceu a melhor fonte de informações a ser utilizada - embora não expresse a realidade quantitativa dos acidentes industrias, pois apenas os acidentes de grandes proporções (com danos econômicos e/ou humanos) chegam a ser noticiados, e, para tanto, optamos pelo jornal mais tradicional e antigo do Estado da Bahia: "A Tarde", onde escolhemos o período de 1983 a 1993 para que pudéssemos melhor perceber a evolução desses acidentes. As notícias ali publicadas foram classificadas/agrupadas segundo a característica predominante dos acidentes em: a) Explosão; b) Incêndio; c) Vazamento/escapamento; d) Outros problemas no processo de trabalho; e) Acidentes de trajeto com passageiros/trabalhadores. Foram selecionadas 195 denúncias de Contaminação Ecológica ou Riscos Ambientais (de provável origem industrial), além de 139 notícias de acidentes de trabalho. Observa-se que há uma tendência crescente dos casos de explosões, incêndios, vazamentos/escapamentos e/ou tombamento de carga. Foram contabilizados 417 vítimas humanas no período de 1983/1993, sendo 158 mortos e 259 feridos ou com problemas de saúde. Outros aspectos muito importantes puderam ser percebidos, como por exemplo: denúncias constantes de impossibilidade de assistência médica para casos de emergência, total falta de um plano de evacuação das populações circunvizinhas, morosidade ou omissão dos poderes públicos diante das constantes denúncias, desaparelhamento do Estado e despreparo das instituições e da polícia para lidarem com as situações de emergência. Além de se constatar que o sindicato é uma instituição que, apesar de denúncias sistemáticas e de um grande empenho na área de Saúde, como é o caso do SINDIQUÍMICA, não tem conseguido desenvolver políticas no sentido de evitar a precarização e consequentemente os acidentes de trabalho.
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