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ZOLLINGER, Carla Brandão. Salvador final de século: habitação (interpenetrações entre ver e habitar a cidade coletivamente). 1996,
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Resumo

Em tempos de finalização de século, e mais, às vésperas de um novo milênio, é hora mais que oportuna de se compreender a configuração do lugar em que se vive. A Cidade do Salvador- que concentra cerca de 90% do mercado imobiliário estadual- nos informa de uma novíssima produção no campo das habitações. Então, para nos aproximarmos de algumas das formas da urbanização contemporânea, decidiu - se pela análise da configuração física do espaço limitada pela apropriação residencial das áreas urbanas. E, ainda mais especificamente, optou -se por um enfoque da ocupação habitacional coletiva e formal - aquela que nos informa sobre empreendimentos imobiliários pluridomiciliares sobretudo de padrão médio e alto. Para tanto, percorreu - se a publicidade feita para o lançamento de imóveis residenciais nos últimos 15 anos, tendo como fonte primária os anúncios de lançamentos veiculados pelo caderno imobiliário do jornal A Tarde neste mesmo período. Esse trabalho resultou na coleta de 3254 fichas cadastrais, correspondentes a 810 lançamentos no período. É justamente o papel da mídia na qualificação de uma nova habitação e a sua interferência nas novas tipologias arquitetônicas um dos pontos desenvolvidos, pois o que se vê muito nas novas fachadas urbanas e na forma de sua recepção é o prazer cinemático da própria linguagem publicitária. A performance desta arquitetura, de fato, inaugura o sentido de entretenimento comunicado pela plástica de um edifício ou, mais além, tal espaço público de recepção coletiva equivale mesmo ao novo espaço publicitário. Por sua vez, a esfera pública das relações sociais, esvaziada, e a correspondente vida privada intensificada serão justificadas também por um equivalente plástico/funcional: as disposições espaciais dos edifícios residenciais e a distribuição interna dos apartamentos. Por fim, surgiu a necessidade de delinear o sentido da ocupação territorial (ainda a residencial) mais recente de Salvador, quando reformas e deslocamentos alteraram profundamente a disposição material da cidade (expandindo áreas e inaugurando novos códigos de estruturação urbana), atualizando noções de centralidade e produzindo novas formas de especialização. A publicidade imobiliária, pois, divulga e influencia as transformações no habitar, as novas imagens produzidas, o sentido da moradia coletiva e sua disposição na cidade contemporânea.
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