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JESUS, Gilmar Mascarenhas de. Modernidade urbana e territorialidades populares : as feiras-livres na cidade do Rio de Janeiro. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 8., 1999, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: ANPUR, 1999.
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Resumo

A cidade moderna é um inconstante mosaico de territorialidades. A coexistência de tempos, agentes e processos os mais díspares, confere à vida metropolitana grande diversidade e riqueza de possibilidades. Nela, os espaços públicos são lugares privilegiados para o embate dos diferentes interesses e necessidades em jogo, pois a modernidade urbana maximiza o duelo entre os setores hegemônicos e os amplos segmentos marginalizados: os primeiros formatam e normatizam, ao seu interesse, os espaços da vida pública; os demais, quase sempre, se recusam a (ou são impedidos/incapazes de) participar desta coreografia, e recriam à sua maneira a vida cotidiana, se apropriando inconvenientemente dos espaços públicos, ali instaurando, ainda que muitas vezes precária e brevemente, uma territorialidade alheia ao projeto elitista da modernidade. O presente artigo procura verificar a presença desta faceta de dualidade da modernidade urbana nas feiras-livres cariocas. Criadas oficialmente em 1904, em pleno bojo da Reforma Passos, elas representam a culminância de um longo processo de intervenção do poder público sobre o comércio varejista popular, desterritorializando-o brutalmente. Concebidas (assim supomos) para simbolizar a higiene, a ordem e a europeização da cidade radiosa que emerge dos escombros do velho burgo colonial, as feiras-livres assistirão paulatinamente à invasão de agentes e práticas populares, a erodir uma fria cenografia planejada e a fermentar um ambiente mestiço e de alegre rebuliço.
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