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VARGAS, Heliana Comin. Qualidade ambiental urbana : em busca de uma nova ética. In: ENCONTRO NACIONAL DA ANPUR, 8., 1999, Porto Alegre. Anais… Porto Alegre: ANPUR, 1999.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 2 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 3
Índice h: 1  
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Resumo

A história da humanidade é, na verdade, a luta do homem pela sua sobrevivência. E, o seu primeiro grande desafio esteve sempre voltado a compreensão e domínio do seu ambiente natural. No entanto, este binômio população-meio ambiente, mesmo sendo uma relação muito antiga, nem sempre foi devidamente percebido e analisado. Esta relação tem se alternado, através do tempo, no que se refere ao domínio de uma das partes sobre a outra e à importância dada a cada uma delas. Talvez, em busca de um difícil equilíbrio. Desde cedo, e com maior ênfase a partir do séc. XVIII, duas correntes de pensamento foram sendo construídas, dividindo-se na defesa de cada uma das partes: a antropocêntrica e a biocêntrica (ecocêntrica). A primeira, coloca o homem como o centro do universo, onde a natureza não tem valor em si mas, constitui-se numa reserva de recursos naturais a serem explotados pelo homem. A segunda, defende que o homem se insere na natureza como qualquer ser vivo e o mundo natural tem valor em si mesmo. Na verdade, a grande discussão sempre esteve voltada para as questões de proteção do mundo selvagem e do crescimento populacional. Estes foram sempre os divisores de água nos movimentos e nos vários enfoques ambientalistas. No entanto, na entrada para o terceiro milênio, parece evidente que a problemática malthusiana, voltada ao equilíbrio entre o número de seres humanos e os recursos disponíveis na natureza, deixou de ser apenas de ordem quantitativa . No seu lugar, pode ser visualizado uma nova problemática cujo fundamento passa a ser muito mais normativo e qualitativo, isto é, ético. Além da necessidade de rever os valores atuais, deve-se revê-los em nome de quem? para quem? e por quem? . Os níveis de subjetividade também se revelam, interesses conflitantes se explicitam e todos passam a reinvidicar direitos. Na verdade, segundo Lassonde (1996, p 215), o surgimento da questão ética sobre os debates contemporâneos provém , entre outros, do fato de que nós estamos num ponto da história onde os homens podem ser individualmente inocentes e coletivamente responsáveis, todos vítimas e culpados ao mesmo tempo. Se estas análises se voltarem para as questões do ambiente construído, do ambiente urbano, a complexidade se amplia na medida que a relação homem/homem atinge não apenas as questões ambientais, mas a saúde e a própria condição de vida da população. Esta situação urbana, também exige análises qualitativas, exige a necessidade de fazer escolhas. Embora o crescimento demográfico estivesse sempre ligado ao crescimento de taxas de urbanização, principalmente a partir do século XIX, nas últimas décadas, a expansão urbana adquire dimensões contraditórias. Isto porque, em muitos casos, o crescimento populacional se interrompe, mas a área urbanizada aumenta. (Regales & Lopes, 1997). Nesse sentido, a discussão sobre qualidade de vida, qualidade de vida urbana e qualidade ambiental urbana tem recebido contribuições das mais diversas que alteram os valores e os parâmetros de julgamento. Assim, para a compreensão deste processo de mudança de enfoque, uma análise retrospectiva da atenção direcionada às questões de ordem demográfica e ambiental e de como os vínculos entre elas tem sido estabelecidos, nos pareceu um ponto de partida interessante seguida de uma discussão sobre o conceito de qualidade urbana.
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