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GONÇALVES, Fábio Mariz. A apropriação dos espaços livres em áreas habitacionais: avaliação de uma experiência. In: NUTAU: SUSTENTABILIDADE, ARQUITETURA, DESENHO URBANO, 4., 2002, São Paulo. Anais... São Paulo: USP, 2002. p. 274-282.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 1 (Com arquivo PDF disponíveis: 1)
Citações: 5
Índice h: 1  
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Resumo

Durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, no período de 1989 a 1992, foram desenvolvidos vários projetos habitacionais nas mais diversas escalas que renovaram e atualizaram as pautas e os debates arquitetônicos paulistanos. Em muitos deles os arquitetos foram colocados diretamente em contato com a população a ser atendida que deixava de ser apenas um número abstrato e sem expectativas, passando a intervir diretamente no processo como qualquer cliente diante do arquiteto contratado. Agora, com a retomada das obras praticamente paralisadas durante as gestões anteriores o tratamento e a apropriação dos espaços livres de parte destes projetos estão sendo finalizados e entram em sua fase mais crítica ? o confronto com o cotidiano real, com o repertório cultural e com os problemas decorrentes das condições de sociabilidade e convivência do proletariado brasileiro. O trabalho traz uma reflexão construída sobre um desses projetos, o mutirão Estrela Guia, no Jaguaré: um mutirão de 100 casas arranjadas de diferentes maneiras. As casas foram organizadas de modo a formar pequenas vilas ou pátios, algumas casas no alinhamento da calçada outras com generosos recuos, evitando a repetição monótona e homogênea característica dos conjuntos habitacionais. Ao longo da obra a gleba originalmente vazia foi sendo ocupada por edifícios, em sua maioria do programa Cingapura, seus moradores passaram a habitar as mesmas ruas dos moradores do mutirão, estabelecendo ao mesmo tempo um clima de competição, cooperação e desconfiança entre as comunidades. Este trabalho registra o debate acerca do projeto de tratamento dos espaços livres do mutirão demonstrando os limites e as possibilidades reais de experimentação. Expõe a importância da adequação dos discursos presentes na literatura internacional às condições culturais e sociais contemporâneas brasileiras.

Abstract

During Luiza Erundina’s administration, in the period between 1989 and 1992, many housing projects were developed in all different scales which renewed and updated the state of architectonic debates at São Paulo. In most of them, the architects was placed in close contact with the demanding population which stopped being only an abstract number with no expectation, beginning to interfere directly in the process as any client towards the employed architect. After the retaking of the practically paralyzed works during the previous administration, the treatment and the appropriation of the open spaces of part of these projects are being finalized and are entering in their most critic phase – the confrontation with the daily routine, the cultural repertoire and the decurrent problems of the conditions of sociability of the brazilian proletariat. This study is a reflection about one of these projects, the Estrela Guia group, in Jaguaré, a group of 100 houses placed in different ways. The houses were arranged in a particular way, so that they can form small villages and patios, some houses would be on sidewalk alignment, others with huge retreats, avoiding the monotonous repetition and the homogeneous characteristic of the residential sets. Throughout the work, the originally empty area was being occupied by buildings, mostly from Cingapure project, whose inhabitants started residing the same streets the Estrela Guia’s inhabitants did, establishing, at the same time, a competitional atmosphere, co-operation and suspicion among the communities. This work books the debate about the group open area treatment project, showing its limits and its real possibility of execution. It exposes the importance of adjusting the speech present in the international literature to the cultural and social Brazilian contemporary conditions.
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