Mais informações

SARMENTO, Silvia Noronha. Formação profissional dos urbanistas baianos. 1996,
Clique no nome do(s) autor(es) para ver o currículo Lattes:

Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 1 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: Nenhuma citação encontrada
Índice h: Indice h não calculado  
Co-autores: Nenhum co-autor encontrado

Resumo

Enquanto o fim do século XIX ainda assiste ao declínio das estruturas coloniais e escravistas, com sua dinâmica urbana própria, o começo do século XX é marcado pela intensificação do projeto de cidade moderna, em idealizações, diretrizes ou obras executadas. A investigação aprofundada do processo de modernização das cidades brasileiras nesse período é, pois, de capital importância, tanto pela intensidade e rapidez das transformações como pela sua influência nítida na configuração urbana atual. A pesquisa realizada é parte de um projeto nacional intitulado LEVANTAMENTO DOCUMENTAL SOBRE URBANISMO E PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL: 1900-1950, e vem sendo conduzida, aqui na Bahia, por professores ligados ao Mestrado de Arquitetura da UFBa. A realidade baiana, neste século, apresenta novas e inquietantes variáveis na dinâmica urbana. As sementes do planejamento urbano, como hoje o entendemos, brotaram nesse período, sendo amadurecidas nas Escolas de ensino superior fundadas no século passado, principalmente na Escola Politécnica (1897), formadora de engenheiros e na Escola de Belas Artes (1877) de onde se originou o curso de Arquitetura (1891). Nesse sentido, é fundamental desvendar que tipo de formação era oferecida nesses institutos de ensino, que formaram os grandes pensadores e realizadores em urbanismo da Bahia. Além das Escolas, podemos encontrar o pensamento dessa classe nas suas associações como o Clube de Engenharia (1941) e o Rotary Clube da Bahia (1933). Essas organizações têm um papel importante por participarem de eventos como a Semana de Urbanismo de 1935, um grande fórum de debates sobre planejamento urbano. A procura nos arquivos dessas escolas e associações rendeu um estudo da evolução do pensamento e proposições principais acerca do urbanismo na Bahia neste período. A cidade era problematizada, principalmente, a partir do ponto de vista técnico, característico da nova elite intelectual que se afirmava. Destacamos, como eixos centrais de preocupação, a urgência em solucionar os problemas dramáticos de epidemias decorridas da insalubridade e a preocupação em transformar a circulação intrincada em ruas estreitas e tortuosas, na racionalidade das largas avenidas (que não garantem, embora, a sonhada fluidez perfeita do tráfego). A antiga Salvador colonial resiste, e sua forma orgânica, pendurada na topografia peculiar não foi dizimada por este urbanismo moderno, mas por ele transformada, através de intervenções urbanas nem sempre sutis (por exemplo, a derrubada da Sé), nessa coisa indefinível que é Salvador hoje, essa cidade de contrastes.
-