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MAROCCI, Gina Veiga Pinheiro. Salvador, século XVIII: a emergência de novos padrões urbanísticos. Orientação de Marco Aurélio A. F. Gomes.256p. Dissertação (Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia,Salvador,1996.
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Resumo

A discussão concentra-se nas intervenções urbanas realizadas em Salvador, no período entre os últimos trinta anos do século XVIII e os vinte primeiros anos do século XIX, investigando-se a introdução de novos padrões urbanísticos numa ação conjunta entre particulares e governantes, continuada na administração Conde dos Arcos, no início do século XIX, e que se define como uma estratégia de construção de um novo padrão urbanístico para a cidade. As mudanças sociais e econômicas do período e a ascensão social dos comerciantes têm um papel importante na assistências aos problemas urbanos como a segurança, a salubridade, a circulação e a estética. Percebe-se que, a partir da segunda metade do século XVIII há uma preocupação maior com esses aspectos, transparecendo com maior clareza nos documentos oficias do período as tentativas de solucioná-los. Observa-se, também, a presença e atuação maior dos engenheiros militares a serviço dos governadores, inserindo-se, assim, um aspecto importante no processo de introdução desses novos padrões urbanísticos, que é a participação de uma mão-de-obra especializada. Algumas fontes primárias referentes ao poder municipal foram utilizadas, traçando-se um perfil da administração da cidade e sua principais atuações. Pode-se, assim, também com apoio da bibliografia especializada, conhecer e identificar os maiores problemas urbanos do período, bem como as ações do poder local que visavam saná-los. O trabalho está estruturado em três capítulos centrados em Salvador. O primeiro capítulo deste trabalho trata da importância política e econômica da cidade para o império colonial português, bem como seu papel ideológico influindo na concretização do domínio e do controle da vida colonial. Ainda neste capítulo, a sociedade colonial baiana é analisada ressaltando-se a importância dos senhores de engenho e sua influência em toda a economia regional e nos fluxos e refluxos da vida da cidade. A ascensão econômica dos comerciantes ao final do século XVIII também é analisada por se um dado importante para o entendimento dos novos rumas da política e da economia baiana. Uma terceira parte do capítulo trata da Câmara Municipal e sua constituição ao longo do século XVIII. O segundo capítulo apresenta aspectos da evolução física de Salvador na primeira metade do século XVIII, seus principais problemas de funcionamento e a intervenção do poder local no seu funcionamento e na normalização. São apresentados e analisados aspectos urbanísticos das Ordenações Filipinas e da legislação Canônica, representada pelas constituições primeiras do arcebispado da Bahia, editadas em 1707, constituindo-se, juntamente com as Posturas Municipais, um quadro geral da temática contida nas leis do período. O terceiro capítulo está dividido em quatro partes e concentra-se nas inovações urbanísticas da segunda metade do século XVIII. A primeira parte pretende demonstrar a continuidade dos problemas urbanos e o avanço das tentativas de saná-los. A segunda parte apresenta a contribuição dos engenheiros militares nas inovações urbanísticas, bem como a importância da experiência da reconstrução de Lisboa após o terremoto de 1775. A terceira parte está concentrada na aplicação dos novos padrões urbanísticos em Salvador, que apontam para uma maior regularização do traçado, da uniformidade das fachadas e da inserção de novos equipamentos urbanos. A quarta parte, que estende a pesquisa até as duas primeiras décadas do século XIX, concentra-se nas ações do governo do Conde dos Arcos e sua visão inovadora. Com esta pesquisa pretende-se contribuir para o estudo da história da cidade no Brasil através da discussão sobre a presença de diretrizes urbanísticas no século XVIII que vão orientar intervenções em importantes cidades brasileiras a fim de se constituírem novos padrões urbanísticos e um novo modo de intervenção nas cidades que vai ter sua aplicação mais definida ao longo do século XIX.
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