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Campos, Candido Malta. Da praça à centralidade : evolução da idéia de centro na cidade brasileira. In: SEMINÁRIO DE HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 8., 2004, Niterói. Anais... Niterói: ARQ.URB/UFF, 2004.
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Número de Trabalhos: 3 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Este trabalho resulta de projeto de pesquisa recentemente concluído, amparado na descoberta de amplo material inédito sobre o Palacete Santa Helena (1921-1971), importante edifício de arquitetura eclética situado na Praça da Sé em São Paulo. Mais conhecido por ter abrigado os pintores da Família Artística Paulista, o Santa Helena também foi um dos exemplares mais representativos da transformação do centro paulistano sob a Primeira República, que associou uma série de intervenções urbanísticas, com ampliação e criação de logradouros, à renovação do quadro construído a cargo da iniciativa particular. Trata-se de caso que explicita a íntima conjunção entre a ação do poder público e o empreendorismo privado na remodelação da área central, combinando a abertura de espaços de prestígio com seu aproveitamento imobiliário, pondo em jogo técnicos, governantes e proprietários - o dono do prédio, Manuel Joaquim de Albuquerque Lins, foi Presidente do Estado entre 1908 e 1912, quando dos acordos entre governo, município e Cúria em torno da criação da nova Praça da Sé. A evolução dos diferentes projetos para a praça (envolvendo urbanistas como Victor Freire e Bouvard) e para o edifício (dos arquitetos italianos Corberi e Sacchetti) também mostra como questões de traçado urbano, desenho e volumetria envolviam interesses específicos, negociando um difícil acordo entre controles urbanísticos, indispensáveis à conformação de um perfil urbano "à européia", e pressões crescentes pela verticalização dos valorizados terrenos centrais. Isso resultou em mudanças na legislação e no processo de aprovação do projeto, com sucessivos acréscimos de andares. Finalmente, as transformações no programa, no perfil e na fachada do edifício (que incluiu um luxuoso cine-teatro) evidenciam o programa simbólico proposto à época para definir os espaços dominantes no centro de São Paulo. Novas funções terciárias abrigavam-se sob uma roupagem legitimadora, amparada em referências à cultura européia. Resolvia-se com habilidade a transição entre a face pública do empreendimento - que ajudou a construir a paisagem do mais importante logradouro criado no Centro Velho - e as limitações oriundas do parcelamento original, conciliando, em precário equilíbrio, herança fundiária e modernização urbanística.
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