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Campos, Candido Malta. A cidade no pensamento brasileiro, dos cronistas a Gilberto Freyre. In: SEMINÁRIO DA HISTÓRIA DA CIDADE E DO URBANISMO, 7., 2002, Salvador. Anais... Salvador: UFBA, 2002.
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Número de Trabalhos: 3 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
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Resumo

Antes de ser identificado com a ciência, arte ou disciplina urbanística na primeira metade do século XX, o termo "urbanismo" designava uma postura ideológica favorável às cidades e aos modos de vida urbana. Tal duplo sentido é revelador: atitudes mais ou menos "urbanistas" condicionariam a aceitação do urbanismo propriamente dito entre nós, num momento em que os esforços de técnicos e engenheiros se inseriam nos debates mais amplos em torno da construção do país. Assim, o processo de afirmação do pensamento urbanístico moderno no Brasil não pôde deixar de enfrentar visões persistentes a respeito do papel das cidades na vida nacional, do caráter, relevância ou validade de nosso processo de urbanização, dos vícios e virtudes do mundo urbano. Para tentar elucidar algumas dessas visões, podemos recorrer a textos formadores da consciência local, dos cronistas coloniais redescobertos no século XIX à emergência de uma concepção dominante de "cultura brasileira" na obra de Gilberto Freyre. Ao longo dessa trajetória transparecem, em eventuais referências às nossas cidades, diferentes enfoques, imagens e projeções, em que o mundo urbano é visto ora ostentando sua imponência oficial, ora exibindo suas mazelas morais e físicas, mas na maioria das vezes desaparecendo em favor do quadro predominante de um país "essencialmente" rural. Literatura, crônica histórica e interpretação sociológica podem então ser lidas como um manancial historiográfico, cuja tônica pouco "urbanista" ou anti-urbana - consolidada entre o oitocentos e o novecentos e consagrada nas construções de Freyre - comprometeu a incorporação do urbanismo como prioridade no ideário nacional.
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