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OLIVEIRA, Marcelo Almeida. Os valores culturais da paisagem urbana em Ouro Preto-MG.. Orientação de Prof. Susana Acosta Olmos.161p. Dissertação (Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura, Universidade Federal da Bahia,Salvador,1997.
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Dados do autor na base InfoHab:
Número de Trabalhos: 2 (Nenhum com arquivo PDF disponível)
Citações: 129
Índice h: 6  
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Resumo

A partir da década de 50 deste século, devido ao fenômeno da intensa urbanização, que repercutiu sobre a cidade de Ouro Preto, Minas Gerais, ocorreram significativas transformações espaciais, que incidiram diretamente na redução das áreas não edificadas da Cidade. O surgimento do problema do rápido crescimento demográfico trouxe como conseqüência o aumento da taxa de ocupação do solo nos terrenos urbanos, além de provocar uma perda gradativa das características do ambiente físico, prejudicando com isso o processo de construção da forma arquitetônica da cidade. Diante desse fato, o trabalho que ora se apresenta se propõe a estudar uma das características espaciais do lugar, que tem sido comprometida desde aquele período. Diz respeito às áreas verdes originadas do cultivo dos quintais e que estão intrinsecamente associadas ao antigo modo de ocupação urbana difundido nos tempos coloniais. Dessa maneira, tendo em vista a compreensão desse objeto de estudo, áreas verdes intraurbanas, levando em conta a visão histórica do processo de estruturação da paisagem urbana, buscou-se trabalhar esse tema a partir do entendimento que a antropogeografia atribui a essa questão. No caso, o conceito de antropogeografia está fundamentado no processo de interação entre o homem e o seu meio, o que traz como resultante a materialização de formas significativas, impregnadas de valores atribuídos a esse meio, ao longo do tempo. Nessa perspectiva, o verde dos quintais torna-se suscetível de ser protegido como elemento integrante do patrimônio cultural de Ouro Preto, pois está relacionado à organização do espaço preexistente da cidade, o que deveria ser motivo de maior atenção dos órgãos institucionais que cuidam da preservação histórica do seu sítio. A fim de viabilizar a realização do estudo proposto para Ouro Preto, buscou-se trabalhar somente uma pequena área da cidade, pois entende-se que o problema urbano que atinge um determinado lugar, no que se refere à redução dos verdes nos quintais, é decorrente de uma conjuntura de fatores que abrange a cidade como um todo. Desse modo, para o desenvolvimento da pesquisa realizada procedeu-se à escolha da Ladeira Santa Efigênia e do entrono próximo. Diante da complexidade do tema tratado, houve necessidade de delimitá-lo. Tendo em vista esse propósito, foram avaliados dois períodos marcantes do processo de construção da paisagem de Ouro Preto. * Século XVIII / XIX - Nesse período, é percebido um conjunto de ações que tinham o objetivo de "ordenar" a área urbana segundo as concepções do estado português e da igreja católica, que influenciaram o parcelamento fundiário e a implantação do sistema viário, e por conseqüência possibilitaram a conformação dos terrenos e dos respectivos quintais. No caso do cultivo dos quintais, esse fato encontra-se associado ao atendimento das necessidades de subsistência dos moradores da cidade. Nesse contexto, importa atentar para o papel desempenhado pelo Jardim Botânico dessa cidade, durante o século XIX, responsável pela aclimação e pela propagação de espécies vegetais exóticas, o que contribuiu para o aumento da diversidade da flora local. * Período pós década de 50 deste século - Diz respeito aos impactos causados pelo fenômeno da urbanização devido ao processo de industrialização que ocorreu na cidade, trazendo como conseqüência mudança na prática de partilha do solo urbano e a alteração no hábito de residir das pessoas, que passaram a ocupar lotes de pequenos áreas sem a presença dos quintais de tempos anteriores. Dentre as medidas cabíveis que poderiam ser tomadas, tendo em vista proteger o verde intra-urbano, mantendo a imagem do conjunto arquitetônico da cidade, preservando com isso o processo histórico e conformação do seu território, destacam-se: a) a conscientização da população local e dos técnicos responsáveis pelo planejamento urbano a respeito da importância de se protegerem os espaços não edificados e, em específico, os quintais cultivados; b) a preservação do caráter da cidade através da visão local; c) a implantação de um programa de habitação popular no município, através da elaboração de critérios técnicos compatíveis com a realidade sócio-econômica trabalhada; d) a elaboração de legislação urbana adequada à preservação das particularidades ambientais; e) a criação de alternativas econômicas visando à reversão de perda gradativa das áreas dos quintais em Ouro Preto.
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